Von der Leyen defende Europa resiliente diante de choques globais
Presidente da Comissão Europeia alerta para a necessidade de adaptação estratégica frente às mudanças geopolíticas e econômicas que impactam o bloco.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sublinhou a urgência de a União Europeia adotar uma abordagem mais resiliente e adaptável perante a dinâmica global em constante transformação. A líder europeia enfatizou que os “choques geopolíticos” atuais estão a desestabilizar as economias do continente, exigindo uma reavaliação estratégica para salvaguardar a prosperidade e a estabilidade.
Ursula von der Leyen fez a declaração durante um evento em Bruxelas, onde discutiu os desafios contemporâneos que moldam o futuro do continente europeu. A sua intervenção ressaltou que a instabilidade proveniente de conflitos regionais, como a guerra na Ucrânia, e as tensões comerciais globais têm impactado diretamente as cadeias de suprimentos e os preços da energia.
Tais fatores, por sua vez, provocam pressões inflacionárias e desaceleram o crescimento econômico em diversos Estados-membros. A necessidade de reforçar a autonomia estratégica da União Europeia em setores-chave foi uma das premissas centrais do seu discurso. A tese da resiliência europeia tem sido uma constante na agenda da Comissão Europeia, intensificada desde a pandemia de COVID-19 e acentuada pela invasão da Ucrânia pela Rússia.
Antes desses eventos, a política europeia focava mais na globalização e na eficiência das cadeias produtivas globais, mas a dependência de fontes externas para energia e matérias-primas revelou vulnerabilidades significativas. A Comissão tem, desde então, promovido iniciativas para diversificar parceiros comerciais e fortalecer a produção interna, visando reduzir a exposição a futuras interrupções.
Esta mudança de paradigma busca garantir que a Europa possa enfrentar crises sem comprometer o bem-estar dos seus cidadãos e a competitividade das suas empresas. “Como o mundo à nossa volta está a mudar, temos de mudar a nossa abordagem”, afirmou Von der Leyen, destacando a imperatividade de uma revisão estratégica.
Ela exemplificou a situação com “os choques geopolíticos” que estão “a abalar as economias”, sinalizando a necessidade de uma resposta coordenada e robusta dos 27 Estados-membros. Segundo a presidente, a Europa não pode mais se dar ao luxo de ser reativa, mas deve antecipar e mitigar os riscos através de políticas proativas em áreas como energia, tecnologia e defesa.
A busca por maior resiliência impacta diretamente setores estratégicos, como a indústria e a agricultura, que dependem da estabilidade dos mercados globais e da disponibilidade de recursos. A União Europeia tem investido em projetos de energia renovável e em tecnologias de ponta para diminuir a dependência energética e tecnológica, visando estabilizar o custo de vida e a produção.
Embora o impacto direto na comunidade brasileira em Portugal não seja explícito na declaração, a estabilidade econômica e a segurança energética da Europa, resultantes dessas políticas, podem influenciar indiretamente o mercado de trabalho e as condições de vida, uma vez que Portugal, como membro da UE, adota muitas dessas diretrizes e se beneficia da estabilidade do bloco.
A agenda de resiliência europeia deverá ser um tema central nas próximas cimeiras da União Europeia e nas discussões sobre o orçamento plurianual do bloco, com foco na alocação de recursos para infraestruturas críticas e inovação. A Comissão Europeia está a preparar novas propostas legislativas que visam fortalecer a soberania econômica e tecnológica do continente, com a expectativa de que estas sejam apresentadas nos próximos meses.