Tecnologia

CEOs de IA moderam discurso sobre impacto da tecnologia no emprego global

Líderes da Nvidia e OpenAI recuam de previsões alarmistas sobre automação e desemprego em massa.

Empresários proeminentes do setor de inteligência artificial (IA), incluindo Jensen Huang da Nvidia e Sam Altman da OpenAI, começaram a reajustar suas narrativas sobre o impacto da tecnologia no mercado de trabalho, buscando conter as crescentes preocupações com um desemprego em massa. Essa moderação de tom ocorre em meio a uma resistência pública intensificada e ao questionamento sobre a velocidade real das transformações laborais atribuídas à IA.

3 min de leitura
CEOs de IA moderam discurso sobre impacto da tecnologia no emprego global

Compartilhar

Jensen Huang, CEO da Nvidia, criticou duramente executivos que associam demissões recentes ao avanço da inteligência artificial, classificando a narrativa como “conveniente demais”. Em entrevista à Channel News Asia, Huang questionou a lógica de demissões atribuídas à IA, visto que a tecnologia se tornou amplamente útil apenas nos últimos seis meses.

Ele reiterou sua defesa de que a IA, ao longo do tempo, criará tantos postos de trabalho quanto eliminará, desmentindo previsões mais catastróficas. Historicamente, muitas figuras da indústria de tecnologia, incluindo os próprios CEOs da OpenAI e da Anthropic, contribuíram para um cenário de alarmismo em relação ao futuro do trabalho.

Essa mudança de postura agora reflete uma tentativa de acalmar os ânimos, especialmente considerando a crescente desconfiança pública e as próximas etapas de empresas como OpenAI e Anthropic, que se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa, demandando apoio de investidores.

“A IA acabou de chegar. ”, afirmou Huang, criticando a superficialidade de algumas alegações. Em um mea-culpa parcial, Sam Altman, CEO da OpenAI, declarou na conferência Accelerate AI que o “apocalipse do emprego” previsto por parte da indústria, incluindo a própria OpenAI, não se concretizou.

“Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu — felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, admitiu Altman. Dario Amodei, CEO da Anthropic, também suavizou seu discurso, projetando que, mesmo com 90% dos empregos automatizados, os 10% restantes seriam ocupados por humanos mais produtivos com o auxílio da IA.

Contrariando parte do discurso moderado dos CEOs, algumas empresas já anunciaram cortes substanciais de pessoal citando a IA. O banco britânico Standard Chartered, por exemplo, planeja cortar milhares de empregos até 2030, atribuindo a decisão à substituição de funções administrativas pela inteligência artificial.

Similarmente, a empresa responsável pelo Snapchat eliminou mil vagas no mês passado, justificando que a IA aumentou a eficiência operacional. Paralelamente, pesquisas de opinião indicam um crescente desconforto do público, sobretudo nos Estados Unidos, com a perspectiva de uma profunda transformação do mercado de trabalho impulsionada pela IA.

Nesta quarta-feira (27), a governadora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Lisa Cook, alertou que os efeitos mais profundos da inteligência artificial sobre o emprego ainda podem estar por vir, caracterizando-os como a reorganização do trabalho mais importante em gerações.

#inteligência artificial#mercado de trabalho#desemprego#tecnologia#ceos