CEOs de IA moderam discurso sobre impacto da tecnologia no emprego global
Líderes da Nvidia e OpenAI recuam de previsões alarmistas sobre automação e desemprego em massa.
Empresários proeminentes do setor de inteligência artificial (IA), incluindo Jensen Huang da Nvidia e Sam Altman da OpenAI, começaram a reajustar suas narrativas sobre o impacto da tecnologia no mercado de trabalho, buscando conter as crescentes preocupações com um desemprego em massa. Essa moderação de tom ocorre em meio a uma resistência pública intensificada e ao questionamento sobre a velocidade real das transformações laborais atribuídas à IA.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, criticou duramente executivos que associam demissões recentes ao avanço da inteligência artificial, classificando a narrativa como “conveniente demais”. Em entrevista à Channel News Asia, Huang questionou a lógica de demissões atribuídas à IA, visto que a tecnologia se tornou amplamente útil apenas nos últimos seis meses.
Ele reiterou sua defesa de que a IA, ao longo do tempo, criará tantos postos de trabalho quanto eliminará, desmentindo previsões mais catastróficas. Historicamente, muitas figuras da indústria de tecnologia, incluindo os próprios CEOs da OpenAI e da Anthropic, contribuíram para um cenário de alarmismo em relação ao futuro do trabalho.
Essa mudança de postura agora reflete uma tentativa de acalmar os ânimos, especialmente considerando a crescente desconfiança pública e as próximas etapas de empresas como OpenAI e Anthropic, que se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa, demandando apoio de investidores.
“A IA acabou de chegar. ”, afirmou Huang, criticando a superficialidade de algumas alegações. Em um mea-culpa parcial, Sam Altman, CEO da OpenAI, declarou na conferência Accelerate AI que o “apocalipse do emprego” previsto por parte da indústria, incluindo a própria OpenAI, não se concretizou.
“Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu — felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, admitiu Altman. Dario Amodei, CEO da Anthropic, também suavizou seu discurso, projetando que, mesmo com 90% dos empregos automatizados, os 10% restantes seriam ocupados por humanos mais produtivos com o auxílio da IA.
Contrariando parte do discurso moderado dos CEOs, algumas empresas já anunciaram cortes substanciais de pessoal citando a IA. O banco britânico Standard Chartered, por exemplo, planeja cortar milhares de empregos até 2030, atribuindo a decisão à substituição de funções administrativas pela inteligência artificial.
Similarmente, a empresa responsável pelo Snapchat eliminou mil vagas no mês passado, justificando que a IA aumentou a eficiência operacional. Paralelamente, pesquisas de opinião indicam um crescente desconforto do público, sobretudo nos Estados Unidos, com a perspectiva de uma profunda transformação do mercado de trabalho impulsionada pela IA.
Nesta quarta-feira (27), a governadora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Lisa Cook, alertou que os efeitos mais profundos da inteligência artificial sobre o emprego ainda podem estar por vir, caracterizando-os como a reorganização do trabalho mais importante em gerações.